Da web 2.0 para a 3.0 e a geração Proconsumer!
Depois do artigo de introdução ao marketing digital, irei trazer uma abordagem que para muitos é familiar mas que para outros ainda está muito distante – A Web 2.0.
A Web 2.0, como referimos no artigo de introdução, veio potencializar a partilha de informação, mas mais do que isso, veio desenvolver uma nova geração – a geração Proconsumer (produtor – consumidor).
Existe muito texto escrito sobre a Web 2.0 e suas potencialidades, com bastante informação de qualidade e de referência, por isso vou procurar dar uma abordagem diferente ao assunto.
A Web 2.0 é alimentada pela geração dos PROCONSUMER, que dedicam o seu tempo à produção de conteúdos, mas que por outro lado são autênticos “infoholics” (dependentes de informação).
Com a geração Proconsumer , com a Internet e com a Web 2.0, surge o conceito Consumer-Generated Media (CGM), que é um termo utilizado para descrever o conteúdo que é criado e divulgado pelo próprio consumidor. Com o surgimento da Internet e o avanço das tecnologias digitais, da mesma maneira que o acesso dos consumidores à informação teve um aumento significativo, aumentou também a facilidade dos consumidores em expressar suas opiniões (in wikipedia).
Os mercados estão mais exigentes!
A capacidade de um Proconsumer é reconhecer a importância da partilha de informação, divulgado o seu conhecimento e know how, fazendo com que o mercado e as profissões se tornem cada vez mais exigentes. Antes a “teoria” vendia, agora qualquer um, em qualquer lugar, tem acesso à teoria. Falta é a prática.
Mas o que é que isto tem a ver com Marketing Digital?
Tudo!
Os profissionais têm de se tornar proconsumer´s e têm que saber aproveitar todo o potencial dos seus clientes “opinion leaders” que gostam que a sua mensagem chegue a todo o lado.
Uma das formas de tirar proveito desta geração, é incentivar os “Proconsumers” a colaborarem com as marcas, procurando criar novo valor acrescentado para os seus clientes. Afinal o que poderá ter mais sucesso que um produto criado pelos nossos próprios clientes, com custos reduzidos e boas garantias de sucesso?
Grandes empresas têm tirado muito bem proveito desta realidade. A nike, já criou sucessos de vendas a partir de opiniões de “Proconsumers” dedicados à marca, a custo 0!
Outra forma de potencializar esta geração, é criando grupo de “testers” para utilizarem os produtos antes de eles irem efectivamente para o mercado. Surgem opiniões e abordagens simples de resolver que podem ditar o sucesso do produto.
É uma geração que gosta e tem poder de opinião, que quer estar ao lado das marcas e já não admite que não lhe seja oferecido um valor extra pelos produtos que compram.
Promover o Buzz-net!
Muitos destes “consumidores” orgulham-se de fazer parte da criação de um produto/serviço, o que irá, naturalmente, gerar um “buzz” muito interessante.
Mais do que estratégias de SEO, o “Buzz-net” tem provas dadas e a sua eficácia é inquestionável. Como exemplo temos os vídeos do youtube, que quando adquirem fama atingem todo o mundo em poucos dias, sem qualquer “promoção” intencional do vídeo. Naturalmente a informação é partilhada e as pessoas têm orgulho em partilhar bom conteúdo junto dos seus pares.
É importante gerar valor e conteúdo valioso para promover o Buzz. Esta é uma regra base para qualquer criação nesta nova era global.
Os paradigmas do Marketing, alteram-se!
As empresas/marcas deixaram de ter apenas que publicitar conteúdo, agora têm que saber interagir e têm que procurar ter recursos e meios para dar respostas aos seus clientes, é um facto imprescindível nos dias de hoje.
Outra grande mudança prende-se com a própria colocação de anúncios na Web 2.0. Com esta evolução, as empresas já não têm que pagar “xapa 5” pela publicidade, agora podem pagar em função do retorno que têm, pelos resultados que recebe – Marketing de Performance.
Hoje em dia, as empresas pagam, pelo número de cliques ou visualizações que o seu anúncio online tem.
Estar na internet, só para não ficar fora dela, não serve de nada. Apenas serve para desiludir consumidores e denegrir imagens.
As acções Cross – media, que reúnem os diversos “mídias”, assumem cada vez mais destaque. Existem vários anúncios que começam num jornal, revista, rádio ou TV (meios tradicionais) adquirindo continuidade no meio online (meios digitais), permitindo ás empresas/marcas manter o contacto com o cliente, com custos muito mais baixos, tendo possibilidade de promover a participação da geração Proconsumer.
Quando os anúncios são de informação massificada, é essencial que se promova o Buzz –net através de estratégias de Marketing Viral.
A informação está por todo o lado, não há segredos!
Não só para as empresas, mas para os profissionais, é importante que comecem a “dar a cara”, produzindo valor para a internet, trabalhando a sua “marca” de forma eficiente e produtiva. É importante que os nossos pares reconheçam valor no nosso trabalho, para que seja promovido o debate e a discussão, que quase sempre se traduz em aprendizagem para os intervenientes. A Web 2.0, quando bem utilizada, permite-nos uma aprendizagem que de outra forma seria impensável. Antigamente tinha que se ler dezenas de livros para perceber um conceito ou uma abordagem, hoje em dia discute-se e pergunta-se nas redes sociais, nos fóruns ou nos blogues.
Antigamente era também um “trunfo” ter conteúdos exclusivos, hoje em dia os conteúdos estão em todo o lado, já não há segredos, nem deve haver!
Mas qual a essência desta geração?
Mais do que Produtores, cada vez mais, o utilizador de internet é proactivo, sabe tomar iniciativa e cria projectos que de outra forma seria impensável. Temos como exemplo o Marketing Portugal, que já conta com mais de 1500 visitas, mais de 2.000 fãs no facebook, mais de 400 membros no grupo do linkedin. E isto no espaço de menos de um mês. É preciso procurar onde estão os nossos “alvos”, os nossos leitores e os nossos “proconsumers” para trabalharem ao nosso lado.
Esta geração está disponível para partilhar, partilhar e partilhar! Todos querem partilhar e ser reconhecidos por isso, o feedback é indispensável e a colaboração está cada vez mais acentuada. É possível ir mais longe, fazer coisas diferentes, com valor acrescentado e tudo graças a uma Web 2.0 recheada de oportunidades!
Tim O’Reilly (creditado como o criador da expressão Web 2.0) define a web 2.0 como;
“Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma, e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é desenvolver aplicativos que aproveitem os efeitos de rede para se tornarem melhores quanto mais são usados pelas pessoas, aproveitando a inteligência colectiva”
Qual o principal desafio dos utilizadores de internet?
Obviamente que nem tudo é um “mar de rosas”, se esta “porta” está aberta para bons profissionais, também está aberta para maus profissionais que utilizam a Web 2.0 para divulgar maus conteúdos, para denegrir imagens de terceiros, para destruir marcas ou para apenas “fazer barulho”. É indispensável que as marcas, as empresas e as pessoas estejam na Web 2.0 em força, mesmo que isso exija tempo. É a única forma que têm de estar a par do que se passa e do que dizem delas, será catastrófico para uma empresa não estar na Web 2.0, não estar junto dos consumidores e permitir que se fale dela, bem ou mal, sem nenhum controlo e acompanhamento.
Outro desafio grande que nós, utilizadores, temos é “filtrar” a informação credível e correcta, mas para isso temos que saber quem está por trás dessa informação, seja uma pessoa ou uma entidade. Como exemplo deste facto temos a grande enciclopédia online (wikipedia) que pode ser editada por qualquer um (motivação proconsumer), mas já assumiu uma credibilidade muito interessante. Neste momento a famosa “Wiki” é mais credível do que muitas enciclopédias em papel, para além da quantidade de informação disponível e da facilidade que temos em pesquisar na plataforma.
Entramos na Web 3.0 ?
Existem muitas teorias a prever o que vai ser a futura Web – Web 3.0 – mas ninguém tem duvidas que vamos entrar na era da semântica, em que o utilizador não precisa de recorrer a milhões de paginas para procurar uma informação, a informação é lhe dada, exactamente como ele a deseja receber, com uma simples pesquisa.
Várias fontes referem que a 3ª geração da internet estará no “ar” mais rápido do que se pensa e diversos autores defendem que esta geração irá servir para organizar, de forma inteligente, toda a informação existente na internet.
Iremos começar uma travessia, que irá por numa margem a World Wide Web (rede mundial) e na outra a World Wide Database (base de dados mundial).
Certamente iremos ver programas a crescer, que servirão para dar respostas precisas ao seu utilizador – capacidade semântica.
Actualmente se quisermos saber alguma coisa sobre Marketing, pesquisamos num motor de busca – Marketing. E a resposta é equivalente a todos os sites que fazendo referência à palavra Marketing – por exemplo, no google, aparecem cerca de 475.000.000 de alternativas.
Com a capacidade semântica, Web 3.0, iremos poder pesquisar – Marketing, o que é? – e iremos ter uma resposta directa, de fontes de informações (dados) que nos indiquem o que é o Marketing, sem mais alternativas.
A yahoo e o Skype prometem novidades, já numa perspectiva de semântica.
Vamos aguardar para ver e ficar na expectativa desta evolução que será certamente produtiva para todos nós!
Sobre o Autor
Pós Graduado em Direcção de Marketing e Vendas pelo ISCTE




April 20, 2010 - 1:11 pm
Caro Paulo,
Considero o seu artigo interessante, gostei particularmente da forma como relaciona a Web 2.0 e a geração Proconsumer, passando claramente a mensagem ao leitor do artigo.
Parece-me que cada vez mais as marcas/empresas deverão planear a sua presença na Web 2.0 tendo sempre em consideração as exigências do seu consumidor e os atributos do mesmo.
Sou da opinião que cada vez mais o consumidor pretenderá estar “perto” da marca e que será esta proximidade que determinará o sucesso das marcas.
Cumprimentos,
Pedro Garcia
February 18, 2010 - 11:21 am
Caro Miguel Costa;
Fico grato pelo seu comentário e pela partilha do seu conhecimento/experiencia, afinal é isso que nos move no Marketing Portugal.
Concordo consigo quando diz que devemos conhecer bem o “mercado Web”, seja 2.0, 3.0 ou 4.0. Tal como nos ensina o Marketing, teórico, não devemos entrar em nenhum mercado sem antes fazer o diagnostico de situação e esse diagnostico, tradicional, implica adquirir conhecimento relativamente a todos os factos, reais, que apontou.
Quanto aos estudos, depende dos estudos e das suas fontes. Há estudos muito pertinentes e análises muito credíveis (como é o caso das que são feitas pela gartner).
Sem dúvida que não nos devemos fiar nos estudos, devemos ter as nossas próprias ferramentas de investigação e market research, devemos ter a capacidade de agregar um conjunto de informação que nos poderá ser útil, a vários níveis. Mas, no meu ponto de vista, não devemos “ignorar” os estudos periódicos ou os estudos regulares, têm sempre indicadores importantes que devemos “filtrar” para o nosso negócio.
Um abraço!
Paulo Morais
February 18, 2010 - 2:05 am
Caro Paulo,
gostei do seu artigo: simples; claro; ligeiro;
No entanto, gostaria de partilhar consigo o que penso sobre a Web 2.0 /3.0 e o Proconsumer.
Já utilizo a internet à 17 anos (comecei ao 13 anos) e à 10 anos que estou ligado profissionalmente à Internet. Ao longo deste tempo, pude assistir de um ponto privilegiado ao aparecimento de colossos e ao desaparecimento de gigantes.
Ao longo destes 17 anos construí um saber que me permite olhar de uma forma diferente para as “e-coisas”, principalmente para o marketing digital.
Deixei de acreditar nos conceitos da Web 2.0 e 3.0 e 4.0 etc…
Deixei de acreditar em estudos de mercado… principalmente nos da Marktest… Agora, sou que faço a ventilagem de todos os dados que preciso.
Deixei de ver a internet pelos olhos teóricos do Marketing actual que não entende muito bem como ela realmente funciona… Passei a ver de forma diferente.
Se lhe disser, que lhe posso vender 2 000 perfis do face de utilizadores portugueses? Ou se lhe disser que posso vender uma identidade digital com email, amizades, vídeos no youtube, perfil no facebook, hi5, twitter, com conta paypal e com um cartão de crédito?
Se lhe disser que lhe posso vender software, que de forma automática, faz o spinning dos artigos (dos sites que quiser) criando conteúdos novos e únicos?
Se lhe disser que lhe posso vender avaliações de produtos escritas por si e apresentadas por pessoas desde os 7 aos 75 anos de idade, na língua que quiser?
Poderia continuar… mas acho que já me fiz entender .
A Web não é o que parece! Gastei / perdi muito dinheiro on-line graças a teorias de marketing actual que quando analisadas devidamente, se revelam formas rebuscadas de “roubar dinheiro”.
Espero que não me leve a mal por este comentário, mas penso que para tudo temos de ver e conhecer os dois lados da mesma realidade: aquilo que se vê; e aquilo que não conseguimos ver;
Com os melhores cumprimentos
Miguel Costa